Quando o Rock in Rio (RiR) ensaiava um retorno às origens, nos idos de 2010, houve uma conversa com São Paulo para estrear a plataforma de shows na cidade. Mas não fazia sentido iniciar a nova fase do festival em outro lugar, que não fosse a capital fluminense. Com o Rio de Janeiro aquecido, por conta das Olimpíadas de 2016, e a infraestrutura do Parque dos Atletas – a produção se sentiu fisgada, e – desde 2011 – vem fazendo edições a cada biênio na nova Cidade do Rock, com pausa apenas em 2021, quando em 2022 passou a ser organizado em anos pares. “Temos muita convicção de que, para o Rock in Rio se manter saudável, não pode acontecer todo ano (ou no mesmo lugar)”, conta Roberta Medina, vice-presidente executiva da marca. Com planos de expansão pós-Covid 19, os organizadores não queriam ignorar a capital paulista. A partir de 2 de setembro, São Paulo recebe a primeira edição do The Town, criado à imagem e semelhança do irmão. É o mesmo esqueleto, mas o début tem menos dias (são cinco, ao total), e line-up igualmente recheado de estrelas como Bruno MarsPost MaloneMaroon 5 e Foo Fighters para citar alguns. “Brincamos que o país mais próximo para expandir era São Paulo”, conta. “Estamos conhecendo o terreno”, explica a produtora, que atua no label desde 2001.

As conversas para levar a produção à capital paulista começaram há três anos com foco e inspiração na cultura paulista. “Isso poderá ser sentido no palco Factory, dedicado à cena urbana, ou no São Paulo Square, com cenografia deslumbrante e inspirada na parte antiga da cidade. É voltado ao jazz e, também, mostra que a música brasileira tem muito desse ritmo. Está mais presente no nosso dia a dia do que se pensa”, resume. Para os amantes de música eletrônica, o evento convocou as principais festas do circuito para estarem na programação. “O fato de ser um parque temático da música vai conquistar as pessoas”. O Skyline está para o Palco Mundo, onde tocam os headliners, assim como o The One está para o Sunset, conhecido pelos encontros. As mulheres fazem falta no topo do pôster, mas Roberta explica a fórmula à serviço da audiência e do negócio. E confessa que não foi por falta de tentativa. “A gente fez de tudo para ter uma ou mais”. Outro fator corrobora, como o fato de as cantoras do naipe de Taylor Swift, Beyoncé e Madonna resolverem sair em turnê de estádio. “Não podemos montar um line-up por simpatia, mas de acordo com o gosto do público. E fazemos questão de ter diversidade”, explica.

O The Town nasce com legado voltado à pauliceia, como uma maior infraestrutura para o Autódromo de Interlagos receber outros eventos, onde os banheiros passam a ser de alvenaria, os cabos transitam por debaixo da terra e uma nova entrada recepciona o público muito mais próxima da linha de trem. Além de transporte público funcionando 24 horas nos dias de evento, como ocorre na Cidade do Rock. Outras novidades para quem conhece o espaço ao frequentar o Lollapalooza – que em 2024 passa a ser produzido também pela Rock World, mesma empresa dos festivais-irmãos – é uma arquibancada no palco eletrônico do Lolla, coberto por grama sintética. Outras melhorias “mais parrudas” são reformas estruturais, como nivelamento do terreno, encanamento de água e esgoto, estes previstos para a segunda edição. Segurança, mobilidade e qualidade do serviço são temas reforçados por Roberta. E, assim como o irmão mais velho, espera-se um público transversal de idade. “Não é só jovem. Você vai ver famílias, os mais velhos e os jovens, também”. A expectativa de público é de 100 mil pessoas por dia, 110 atrações em seis palcos distintos e mais de 235 horas de música.

Formada em publicidade, Roberta começou no entretenimento na Dream Factory e logo depois se embrenhou pela empresa do pai, Roberto Medina, idealizador do RiR. Ali tomou gosto pela área, e imaginava que seguiria os passos da comunicação. Mas, como não acredita em coincidências, estreou em grande estilo no Rock in Rio de 2001 com um imbróglio para resolver. E, desde lá, nada a abala. Quer dizer, existem momentos de tensão, como os cancelamentos em meio à pandemia e as mudanças de rota (ainda que positivas), como na última edição lisboeta, quando o uso de máscaras deixou de ser mandatório às vésperas do evento. Mas Roberta tem jogo de cintura para resolver os impasses.

Após rodar o mundo com o label, passando por Polônia, Romênia, Espanha e Portugal, para citar alguns, decidiu aportar em Lisboa nos idos de 2017. Desde então, passa um ano lá, outro cá. Criou morada para Lua, de 10 anos, e Theo, de 6, frutos de seu relacionamento com o produtor português Ricardo Acto. Vinda de um lar de workaholics, começou a construir sua própria história a passos mais lentos, oferecendo aos filhos independência e qualidade nos momentos em família. Os amigos, as viagens e os bichos (os gatos Biscoito e Bolacha e os cachorros Simba, Cristal e Mario) ajudam a recarregar a bateria social. No trabalho, desde o primeiro dia até hoje, o que faz Roberta abrir um sorriso são as iniciativas sociais, os projetos educativos e de sustentabilidade, usando a música como instrumento rumo a um mundo melhor.

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