A memória de Paulo Gustavo ganhou um novo palco nesta semana.
Em uma noite marcada por emoção, humor e celebração, convidados especiais se reuniram no Teatro Multiplan, na Barra da Tijuca, para acompanhar a estreia VIP de Meu Filho É Um Musical, espetáculo que homenageia a trajetória de um dos artistas mais queridos da cultura brasileira contemporânea.
Mais do que uma produção teatral, a montagem surge como um tributo à potência criativa, ao afeto e ao legado construído por Paulo Gustavo ao longo de sua carreira. Desde personagens icônicos até momentos íntimos de sua história, o musical propõe uma viagem afetiva pela vida do humorista, cuja obra permanece viva no imaginário coletivo mesmo após sua morte, em 2021.
Idealizado por Dona Déa Lúcia e Ju Amaral, mãe e irmã do artista, o espetáculo transforma lembranças familiares em narrativa cênica, aproximando o público das origens, conquistas e relações que ajudaram a moldar sua trajetória.
A influência de Dona Déa, figura que inspirou a inesquecível Dona Hermínia, também ocupa papel central na produção. No palco, a personagem é interpretada por Stella Maria Rodrigues, atriz escolhida pelo próprio Paulo Gustavo para representá-la em sua ausência — um detalhe que adiciona ainda mais simbolismo à homenagem.
O protagonista ganha vida através das interpretações alternadas de Pierre Baitelli e João Pedro Chaseliov, responsáveis por conduzir o público pelos momentos mais marcantes da carreira e da vida pessoal do artista.
A narrativa ainda reserva espaço para uma homenagem delicada à família construída por Paulo Gustavo ao lado de Thales Bretas, destacando a presença simbólica de Romeu e Gael, filhos do casal, como parte essencial da história que continua inspirando milhões de brasileiros.
Em cartaz até 19 de julho, Meu Filho É Um Musical reafirma o lugar singular que Paulo Gustavo ocupa na cultura nacional: um artista capaz de transformar humor em afeto, memória em legado e entretenimento em conexão humana.
Mais do que recordar sua ausência, o espetáculo celebra aquilo que permanece — sua voz, sua arte e sua capacidade rara de fazer o Brasil rir, se emocionar e se reconhecer em suas histórias.
Apesar de participar da produção e subir ao palco em um momento especial, Dona Déa contou que ainda não conseguiu assistir ao espetáculo até o fim. A mãe de Paulo Gustavo explicou que acompanha a peça apenas até a parte em que canta.
"Todo mundo quer contar essa história, mas choramos. Ainda não vi o final do espetáculo. Não vou assistir. Vou até a parte que estou cantando. Ele me chama, eu canto, e vou embora. Dali em diante, não sei o que acontece. Faço questão de não ficar até o fim para não sofrer mais", disse.
Ela também falou sobre a emoção de ver o filho homenageado nos palcos e destacou a alegria que Paulo fazia questão de espalhar.
"Não quero ficar triste porque ele não gostava que eu ficasse triste. Ele dizia para eu rir e não chorar. Penso nele o tempo todo, tudo me remete ao último espetáculo que a gente fez junto, 'O filho da mãe'. Ele levava alegria, e é isso que estou pensando agora", afirmou.
A chegada de "Meu Filho É Um Musical" aos palcos também realiza um desejo antigo do humorista. Durante homenagem no Domingão com Huck, Dona Déa contou que o filho sonhava em fazer um grande musical.
"O Paulo Gustavo sempre sonhou com um grande musical, bonito, cheio de vida, igualzinho a ele. E, agora, cinco anos depois de ele ter nos deixado, a gente vai dar vida a esse desejo. Um musical do tamanho da alegria que ele espalhou pelo Brasil e do tamanho do legado dele", declarou.
Além de emocionar o público, o espetáculo busca mostrar a essência do artista sem cair na imitação. João Pedro Chaseliov contou que mergulhou na obra de Paulo Gustavo para viver o papel, mas sem a intenção de fazer uma caricatura.
"Buscamos interpretar o Paulo de forma que as pessoas o reconheçam, mas sem tornar isso uma caricatura", afirmou o ator.