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Mondepars transforma memória em matéria e homenageia Alda, avó de Sasha Meneghel, em desfile carregado de afeto
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Mondepars transforma memória em matéria e homenageia Alda, avó de Sasha Meneghel, em desfile carregado de afeto

Há coleções que seguem tendências. Outras escolhem contar histórias.

Sasha Meneghel apresentou a terceira coleção da Mondepars em São Paulo com uma homenagem à avó materna, Alda Meneghel. Inspirada pela infância, juventude e história de amor da matriarca, a coleção traduz memórias afetivas em uma linguagem contemporânea marcada pelo minimalismo, pela alfaiataria e pela sensibilidade. O desfile reforça o posicionamento da Mondepars como uma marca que transforma legado, identidade e emoção em design.

Mondepars homenageia Alda Meneghel em desfile sobre memória, arte e legado familiar

Foi exatamente esse segundo caminho que Sasha Meneghel percorreu ao apresentar o terceiro desfile da Mondepars, em São Paulo. Mais do que uma nova coleção, a apresentação se revelou um exercício de memória, afeto e reconhecimento — uma homenagem à mulher que, antes de qualquer passarela, ensinou a diretora criativa a enxergar o mundo através da arte.

Alda Meneghel, mãe de Xuxa e avó de Sasha, é o centro emocional da narrativa construída pela marca nesta temporada.

Embora nunca tenha sido oficialmente reconhecida como artista, Alda sempre viveu a criação de forma natural. Pintava, cantava, costurava e transformava o cotidiano em expressão. Foi ela quem introduziu Sasha ao universo artístico ainda na infância, influência que agora retorna à superfície em forma de coleção.

A apresentação marca o primeiro capítulo de uma série dedicada à trajetória da matriarca. Nesta etapa, a narrativa acompanha Alda desde a infância, em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, até o casamento com Luiz Floriano Meneghel. A próxima coleção da marca deverá explorar sua vida adulta e suas múltiplas experiências criativas.

O desfile constrói essa jornada por meio de referências discretas, quase íntimas.

A leveza do bisavô Agenor, conhecido pelo hábito de brincar de palhaço, aparece em detalhes sutis. Já os anos vividos em um convento, antes de Alda abandonar a vida religiosa para viver uma história de amor, surgem reinterpretados em golas amplificadas, volumes estruturados e silhuetas que equilibram disciplina e delicadeza.

Sem abrir mão da estética minimalista que consolidou a identidade da Mondepars, a coleção introduz pontos de tensão visual através de tons mais intensos, como o vermelho queimado, aplicado em ombreiras marcadas, botões e peças em camurça.

As referências ao universo militar também aparecem como uma lembrança dos anos em que Luiz Floriano se preparava para seguir carreira como soldado.

Outro destaque foi a continuidade da pesquisa da marca com a madeira — elemento que já havia se tornado assinatura da Mondepars. Desta vez, o material ultrapassa as gravatas e ganha novas formas em regatas, luvas e lapelas de blazers, ampliando a relação entre moda, escultura e objeto.

As gravatas, por sua vez, reaparecem em leituras inesperadas, entrelaçadas às aberturas das camisas ou transformadas em laços delicados ao redor do pescoço..

O encerramento trouxe um dos momentos mais simbólicos da apresentação: a primeira noiva da história da Mondepars.

Vestindo um longo transparente de renda, inspirado diretamente no véu de casamento de Alda, a modelo atravessou a passarela como uma representação visual da memória transformada em permanência.

Nos bastidores, Sasha destacou três características herdadas da avó que continuam orientando sua vida e seu processo criativo.

Segundo a estilista, a atenção aos pequenos detalhes, a força diante das adversidades e a capacidade de tornar qualquer situação mais leve são qualidades que permanecem presentes em sua trajetória.

A construção da coleção também contou com uma participação essencial de Xuxa.

Foi ela quem levou fotografias, relatos e lembranças ao ateliê da Mondepars, compartilhando com toda a equipe histórias que ajudaram a reconstruir a trajetória de Alda em primeira pessoa.

A contribuição não foi apenas emocional.

Muito antes de se tornar uma referência da televisão brasileira, Xuxa teve seus primeiros códigos visuais desenhados pela própria mãe. As icônicas botas brancas, as ombreiras marcantes e diversos elementos que atravessaram décadas da cultura pop nacional nasceram das mãos de Alda.

Ainda assim, seu trabalho permaneceu quase invisível para o grande público.

Talvez por isso a coleção vá além de uma homenagem familiar.

Ao trazer Alda para o centro da narrativa, Sasha também lança luz sobre inúmeras mulheres que moldaram imaginários, criaram linguagens visuais e influenciaram gerações sem jamais receber o devido reconhecimento.

No fim, a coleção não fala apenas sobre passado.

Fala sobre herança.

Sobre as pessoas que constroem futuros sem ocupar os holofotes. E sobre como a moda, quando se aproxima da memória, deixa de vestir apenas corpos para vestir histórias.

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