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Mondepars transforma memória em matéria e homenageia Alda, avó de Sasha Meneghel, em desfile carregado de afeto
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Mondepars transforma memória em matéria e homenageia Alda, avó de Sasha Meneghel, em desfile carregado de afeto

A geração que não espera Hollywood

Aos 20 anos, Kane Parsons estreia em Hollywood com Backrooms: Um Não-Lugar, adaptação cinematográfica da série que criou aos 16 anos no YouTube. Produzido pela A24 e estrelado pelos indicados ao Oscar Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve, o filme simboliza uma transformação profunda na indústria audiovisual: criadores independentes descobertos na internet estão redefinindo os caminhos tradicionais para o cinema. A trajetória de Parsons mostra como plataformas digitais se tornaram o principal palco para revelar novos talentos criativos.

Durante décadas, a indústria do cinema funcionou como um sistema fechado. Escolas de cinema, produtoras tradicionais, agentes e festivais serviam como filtros obrigatórios para quem desejava dirigir um longa-metragem.

Kane Parsons seguiu outro caminho.

Antes de completar 17 anos, o criador já havia construído uma das franquias independentes mais influentes da internet ao transformar uma simples imagem viral em uma experiência cinematográfica que conquistou milhões de espectadores.

Agora, aos 20 anos, ele estreia nos cinemas com Backrooms: Um Não-Lugar, produção da A24 que chega cercada por expectativas de bilheteria e pela atenção de toda a indústria.

Mais do que o lançamento de um filme de terror, o projeto representa a consolidação de um novo modelo de descoberta criativa.

Da creepypasta para o cinema

A origem de Backrooms está em um dos fenômenos mais curiosos da cultura digital recente.

Tudo começou com uma fotografia aparentemente banal: um ambiente corporativo vazio, iluminado por luz fluorescente, revestido por paredes amareladas e carpete desgastado. Publicada em fóruns da internet em 2019, a imagem despertou um sentimento coletivo difícil de explicar — uma mistura de nostalgia, desconforto e estranheza.

A partir dela nasceu uma lenda urbana digital.

Segundo a narrativa criada pela comunidade online, pessoas poderiam acidentalmente escapar da realidade e cair em um espaço infinito composto por corredores, salas vazias e ambientes corporativos sem saída. Esses espaços passaram a ser conhecidos como "Backrooms". Parsons enxergou ali uma oportunidade criativa.

Utilizando softwares de modelagem 3D, câmeras simples e uma linguagem inspirada em fitas VHS antigas, produziu praticamente sozinho o primeiro episódio da série.

O resultado viralizou rapidamente.

O vídeo ultrapassou 20 milhões de visualizações em apenas duas semanas e hoje acumula dezenas de milhões de acessos, impulsionando uma franquia com mais de vinte capítulos e uma comunidade global de fãs.

O criador que conhecia melhor do que ninguém o próprio universo

Ao contrário de muitos diretores estreantes, Parsons chegou ao set sem precisar descobrir o mundo que estava filmando. Ele já havia construído aquele universo durante anos.

Segundo o cineasta, isso eliminou grande parte da insegurança normalmente associada a uma produção de grande escala. Sua principal tarefa não era encontrar respostas criativas, mas comunicar para equipes maiores aquilo que já existia de forma muito clara em sua imaginação.

Essa familiaridade permitiu que o projeto mantivesse a identidade da obra original enquanto expandia sua narrativa para um público mais amplo.


A24, Hollywood e a validação da internet

O sucesso online chamou atenção quase imediatamente. Pouco tempo após o lançamento da série, Parsons começou a receber contatos de produtores interessados em transformar a propriedade intelectual em um longa-metragem. O projeto acabou reunindo nomes importantes da indústria, incluindo equipes ligadas aos produtores James Wan e Shawn Levy.

A proposta chegou à A24, estúdio responsável por alguns dos títulos mais influentes do cinema contemporâneo. A parceria permitiu que o diretor mantivesse boa parte da essência da obra original enquanto adaptava o conceito para uma escala cinematográfica.

O resultado reúne dois nomes indicados ao Oscar: Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve.

O YouTube como nova escola de cinema

A trajetória de Kane Parsons não é um caso isolado. Nos últimos anos, Hollywood passou a observar com atenção uma geração de diretores que começou publicando projetos autorais na internet.

Criadores como David F. Sandberg, Danny e Michael Philippou, Curry Barker e Markiplier demonstram que o YouTube deixou de ser apenas uma plataforma de vídeos para se tornar um dos maiores laboratórios criativos da atualidade.

O ponto em comum entre eles não é necessariamente uma linguagem visual específica. É a capacidade de construir audiência antes mesmo de buscar validação da indústria. Em vez de esperar uma oportunidade, eles criam. Em vez de pedir espaço, eles conquistam atenção.

A economia da visibilidade

Talvez a principal lição da história de Parsons não tenha relação com terror, cinema ou tecnologia. Ela fala sobre visibilidade. Em um cenário onde milhões de pessoas disputam atenção diariamente, a internet continua sendo o ambiente mais democrático para provar talento criativo.

Para o diretor, a lógica é simples:

Se ninguém sabe que seu trabalho existe, dificilmente oportunidades surgirão. A internet não garante sucesso.
Mas garante algo fundamental: a possibilidade de ser encontrado. E é justamente nesse ponto que a trajetória de Kane Parsons se torna relevante para toda a creator economy.

Antes de conquistar Hollywood, ele conquistou uma audiência. Antes do estúdio, veio a comunidade. Antes da indústria, veio a internet.

Hoje, essa sequência está se tornando cada vez mais comum. E talvez seja exatamente assim que os próximos grandes cineastas serão descobertos.

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