Protagonista de ‘A Menina Que Matou os Pais: A Confissão’, disponível na Amazon Prime Video, longa que arremata a história do assassinato de Marísia e Manfred von Richthofen, cometido em 2002 por Suzane von Richthofen, filha do casal, e os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, a atriz fala do processo no set, além de refletir sobre o propósito da realização deste tipo de história nos dias de hoje. Crescendo diante do público, já que iniciou a carreira aos 2 anos, Carla elabora a respeito da curiosidade sobre os recentes acontecimentos em sua vida privada, após o término de um noivado. “Acredito que vamos nos entendendo mais e reconhecendo o que é importante. Compreendi que ter a minha vida afetiva reservada é fundamental para a saúde mental, para mim como um todo. E é uma escolha mesmo, uma decisão que tomei. Amo os meus fãs e sei que eles me entendem e me respeitam. Quero [e que os meus 30 anos de carreira tenham destaque, que os trabalhos que faço tenham destaque”

*Por Brunna Condini

Ver Carla Diaz na pele de Suzane von Richthofen no filme ‘A Menina Que Matou os Pais: A Confissão’, disponível na Amazon Prime Video, é ainda mais impactante que vê-la nos dois primeiros longas, disponíveis na mesma plataforma: ‘A Menina que Matou os Pais’ e ‘O Menino que Matou Meus Pais’. Três anos separam a produção que estreou no streaming no final de outubro, das duas primeiras, e ao que parece, o tempo também fez Carla amadurecer ainda mais no denso papel na trama inspirada na história do assassinato de Marísia e Manfred von Richthofen, cometido em 2002 por Suzane, filha do casal, e os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos. “Pesquisei muito sobre a época, porque foi um caso estarrecedor e amplamente divulgado pela mídia. Existem inúmeras reportagens, entrevistas. Meu foco estava nos autos do processo e nesse material disponível. É um tema bem delicado, tivemos muito respeito ao contar essa história, e isso nos exigiu total envolvimento. É impossível em um processo como esse não se afetar de alguma maneira. Estudei diariamente o caso, depois vieram as filmagens. Chegava em casa com a cabeça pesada e ia para o meu quarto, apesar de deixar o trabalho e o personagem no set. Era esse o momento de me desligar e me reconectar comigo. Foi um processo bastante intenso como artista”, partilha a atriz.

Em ótimo momento da carreira, Carla teve sua vida afetiva exposta recentemente, após o fim do noivado com o deputado federal Felipe Becari, com quem estava há quase dois anos. Na época, a atriz usou suas redes para falar do término e dizer que gostaria de manter o momento reservado. Aqui, ela fala da curiosidade alheia e das especulações sobre algo tão íntimo:

Acredito que vamos nos entendendo mais e reconhecendo o que é importante. Compreendi que ter a minha vida afetiva reservada é fundamental para a saúde mental, para mim como um todo. E é uma escolha mesmo, uma decisão que tomei. Amo os meus fãs e sei que eles me entendem e me respeitam. Quero [e que os meus 30 anos de carreira tenham destaque, que os trabalhos que faço tenham destaque – Carla Diaz

Carla Diaz celebra o bom momento na carreira, divide como lida com a exposição e anuncia novo projeto (Foto: Gabriel Correa)

Carla Diaz celebra o bom momento na carreira, divide como lida com a exposição e anuncia novo projeto (Foto: Gabriel Correa)

Processo e performance

Carla divide como alcançou o distanciamento necessário para fazer a personagem controversa que ainda está por aqui. “Nunca havia feito um trabalho inspirado em uma história real. E esse é um caso muito latente na memória dos brasileiros. Foi algo que chocou a sociedade. A preparação foi fundamental, ela me ajudou a virar essa chave e estar ali em uma relação atriz e personagem. A nossa preparadora Larissa Bracher e o diretor, o Maurício Eça , fizeram muitos exercícios de cena que nos ajudaram a ter a distância necessária para contar a história. Trabalhamos o roteiro e o entendimento dele como um texto. O estudo é a peça principal para um trabalho como esse. Ele me permitiu entrar em cena como uma personagem, e realizar o roteiro estando dentro do universo dele. Isso tudo aliado à técnica que adquiri em 30 anos de carreira, porque a experiência também me ajudou muito a entrar e sair dos estados emocionais que a personagem exigia”, constata.

Carla Diaz fala do impacto e dos sentimentos de viver mais uma vez Suzane von Richthofen (Divulgação/ Prime Video)

Carla Diaz fala do impacto e dos sentimentos de viver mais uma vez Suzane von Richthofen (Divulgação/ Prime Video)

E queremos saber: para além da criação artística, já se questionou porque filmar essa história hoje? “Se pararmos para pensar, a arte, de alguma forma, visita a vida real. O que acontece na sociedade acaba se tornando um caminho para através dela produzir reflexão. Acho que esses filmes têm esse potencial reflexivo. Paramos para pensar o que acontece na mente humana para realizar tais atos. Pensamos na sociedade, no tempo em que vivemos. Acredito que o true crime tem crescido porque estamos sempre em busca de respostas, queremos compreender, entender, saber o que acontece em determinadas situações. A ‘Menina Que Matou os Pais – A Confissão’, por exemplo, tem ainda um elemento a mais que é o trabalho policial. Existe todo um entendimento psicológico numa investigação e ter essa visão também é interessante”.

“Nunca havia feito um trabalho inspirado em uma história real. E esse é um caso muito latente na memória dos brasileiros. Foi algo que chocou a sociedade" (Foto: Divulgação/Prime Video)

“Nunca havia feito um trabalho inspirado em uma história real. E esse é um caso muito latente na memória dos brasileiros. Foi algo que chocou a sociedade” (Foto: Divulgação/Prime Video)

O público anda mesmo cada vez mais assíduo no gênero true crime. A quem acredite que assisti-los nos ajuda a elaborar melhor as tragédias e que ver as injustiças serem investigadas e às vezes solucionadas, pode ser algo que traz algum conforto. Já outros, acham que em alguns caso, o gênero pode estimular a exploração da dor alheia, de forma sensacionalista. Sobre isso, Carla opina: “O que posso falar é que nós tivemos um grande respeito com essa história. Ela é contada a partir dos autos do processo. Existe esse cuidado de se manter nessa direção. Como falei anteriormente, acredito que é um gênero que vem crescendo e existe esse interesse porque são histórias que nos deixam reflexivos, paramos para pensar sobre as nossas existências, convivências, mentes… terminamos de assistir e a história fica reverberando em nós”.

“A arte, de alguma forma, visita a vida real. O que acontece na sociedade acaba se tornando um caminho para a arte produzir reflexão" (Foto: Reprodução/Instagram)

“A arte, de alguma forma, visita a vida real. O que acontece na sociedade acaba se tornando um caminho para a arte produzir reflexão” (Foto: Reprodução/Instagram) 

Aos 32 anos e com boa parte da vida dedicada ao trabalho, ela revela ainda como lidou com a energia de viver algo tão real e pesado, mesmo que na ficção e com todo amparo técnico. “Busquei a minha casa, a minha família como o meu porto seguro. Quando você tem um trabalho tão distante de sua realidade, que te exige esse mergulho, você precisa ter muito claro qual é o lugar que você voltará depois de filmar. Ficava com a minha mãe, com o nosso cachorro, na nossa casa. Essa era a minha forma de dissipar toda aquela energia que eu acumulava para colocar nas cenas. Deixava o personagem nas filmagens, lá mesmo fazia exercícios para entrar e sair dos estados emocionais que a personagem precisaria para as cenas do dia. Claro que o desgaste emocional te cansa, mas a energia da personagem eu não levava comigo. Mantive uma rotina em casa de muita paz, com alimentação bem saudável, e ouvia muita música, fora o lado espiritual que sempre caminha comigo independente do trabalho. A cada dia, havia um reset para estar pronta para mais uma diária de trabalho. Nos primeiros dias de estudo, tive mais dificuldade de me desligar. Foram dias mais intensos, mas com o tempo, entendi o meu processo”.

E celebra sobre a repercussão do intenso trabalho:

Estou surpresa com o sucesso do filme, que está no Top1 desde seu lançamento! Inclusive, todos os filmes da trilogia entraram para o top 10 do Prime Vídeo. Uma gratidão ver todo mundo falando do meu trabalho como atriz junto com esse resultado. Alcançamos um lugar de importância para o cinema nacional – Carla Diaz

A atriz celebra a repercussão dos recentes e intensos filmes: "Não esperava" (Foto: Reprodução/ Instagram)

A atriz celebra a repercussão dos recentes e intensos filmes: “Não esperava” (Foto: Reprodução/ Instagram)

Jovem veterana

Carla Diaz estreou na TV em ‘Éramos Seis’ (1994), no SBT e de lá para cá não parou mais. “Sou uma apaixonada pelo meu ofício. Não seria feliz se fosse apenas famosa e não tivesse o meu trabalho. Aliás a fama nunca foi um objetivo. Comecei aos 2 anos. Desde cedo, já tinha essa relação com o público. Fico muito feliz de completar 30 anos de carreira com todos os personagens que fiz e com esse desejo de querer muito mais. Desejo cada vez mais estar em atividade, trabalhando. Me sinto feliz no set, me sinto realizada. Não faria nada de diferente porque sou quem eu sou por conta dessas vivências. Tenho muito que agradecer à minha mãe que sempre esteve do meu lado e me apoiando nesse caminho”, avalia.

"Sou uma apaixonada pelo meu ofício. Eu não seria feliz se fosse apenas famosa e não tivesse o meu trabalho" (Foto: Reprodução/ Instagram)

“Sou uma apaixonada pelo meu ofício. Eu não seria feliz se fosse apenas famosa e não tivesse o meu trabalho” (Foto: Reprodução/ Instagram)

Feliz da vida, a atriz finaliza esse papo falando do futuro: “Tenho um novo projeto saindo do forno em breve. É algo diferente de tudo o que já realizei e estou bastante animada. Ainda não posso falar o que é, mas já já venho com essa novidade. Também tem o filme ‘Rodeio Rock’ que fiz também e estreou nos cinemas no início do mês. Faço uma mocinha de comédia romântica, quem não assistiu, vá assistir. Sobre sonhos, ainda tenho muitos para realizar, eles me impulsionam a batalhar todos os dias”.

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