17/09/2026
Quando perguntada sobre sua lembrança mais marcante até agora, Alanna Giovanelli não escolhe uma fotografia, uma campanha ou algo que aconteceu nas redes sociais. A resposta é direta: “Meu primeiro desfile.” Aos sete anos, é para a passarela que ela volta quando precisa localizar o início de uma história que ainda é curta no calendário, mas já reúne alguns acontecimentos importantes.
Alanna vive em Encantado, no Rio Grande do Sul, e é descrita pela mãe como uma menina alegre, apaixonada pelas câmeras e por fotografar. Seu primeiro desfile, realizado para a Bazzotti Produções em sua cidade, marcou também o começo de sua jornada como modelo e influenciadora. Depois, outro desfile — desta vez para a Bella Hub — tornou-se o momento que a família identifica como uma virada.
A sequência ajuda a entender por que a passarela ocupa um espaço tão particular na história da menina. Ela não aparece apenas como cenário de um sonho futuro. Foi ali que Alanna começou.
Na entrevista concedida à VOLPH, há uma presença que retorna em momentos diferentes da trajetória de Alanna: sua mãe.
Quando a pergunta é sobre quem a inspirou no início, a resposta é “minha mãe”. Quando o assunto passa para aquilo que a mantém motivada hoje, a mãe reaparece, agora como a pessoa que lhe dá força para continuar. Alanna acrescenta duas coisas que gosta de fazer: desfilar e fotografar.
Para uma criança de sete anos, essa presença não é um detalhe periférico. É parte concreta da estrutura que permite que trabalhos, ensaios e compromissos existam sem apagar sua condição de criança.
Isso fica especialmente evidente quando a própria entrevista aborda o que uma marca precisa compreender antes de trabalhar com Alanna. A resposta reconhece sua dependência dos pais e, ao mesmo tempo, registra a expectativa de responsabilidade de quem a contrata.
Existe, portanto, uma distinção importante entre gostar da câmera e assumir sozinha tudo o que acontece ao redor dela. Alanna pode encontrar prazer em desfilar e posar; aos adultos cabe organizar as condições em que isso acontece.
E é nesse ponto que a história ganha uma camada especialmente sensível para os pais. O incentivo materno não aparece apenas depois de uma conquista, para celebrá-la. Ele está no começo, permanece durante o processo e acompanha a menina enquanto as oportunidades começam a surgir.
O desfile para a Bella Hub ocupa outro lugar importante nessa trajetória. Segundo o relato fornecido à VOLPH, depois dessa participação Alanna foi escolhida por agências e conseguiu realizar seu primeiro job. A família identifica esse encadeamento como sua maior conquista até agora.
Alanna ainda não tinha muita experiência quando chegou ao job. Na entrevista, porém, a recordação do resultado é positiva: “foi tudo maravilhoso”. A frase é simples, mas registra uma passagem relevante. O primeiro trabalho deixa de existir apenas como expectativa e se transforma em experiência vivida.
Entre gostar de posar em fotografias e chegar a um trabalho existe uma diferença que uma criança vai aprendendo na prática: há orientação, compromisso, pessoas envolvidas e expectativas a cumprir. A resposta sobre futuras marcas mostra que a família já percebe essa dimensão e fala em dedicação e profissionalismo, sem perder de vista a idade de Alanna.
Sua colaboração mais especial até o momento também está associada a esse primeiro trabalho. A entrevista registra uma agência, em parceria com o Sicredi, como a experiência escolhida pela família quando perguntada sobre uma parceria marcante.
São acontecimentos iniciais, e devem ser compreendidos nessa proporção. Aos sete anos, Alanna não precisa ter uma carreira definida. O que existe é uma sucessão de primeiras vezes: primeiro desfile, primeira seleção, primeiro trabalho. E são justamente essas primeiras vezes que ajudam uma família a descobrir, junto com a criança, quais experiências fazem sentido continuar.
A presença digital de Alanna é apresentada como uma vitrine de transformação visual, inspiração e portfólio profissional. Antes de uma publicação, a orientação relatada é analisar cuidadosamente o conteúdo.
Mas uma das respostas mais reveladoras da entrevista aparece quando o assunto é autenticidade.
A mãe afirma que, por trás de cada capa produzida, existe “uma criança de verdade com um sonho real” e uma família que deposita confiança no trabalho realizado. A observação desloca a atenção da imagem pronta para aquilo que existe fora do enquadramento.
É uma distinção necessária em qualquer trajetória infantil construída também diante do público. Uma boa fotografia pode mostrar desenvoltura. Uma passarela pode revelar presença. Um trabalho pode representar uma conquista. Nenhum deles transforma uma menina de sete anos em adulta.
Até a forma como Alanna diz lidar com críticas segue uma lógica objetiva: procura focar no próprio trabalho porque entende que críticas aparecerão. A resposta está registrada na entrevista, mas, pela idade da menina, o acompanhamento adulto permanece indispensável também nessa parte da experiência digital.
A imagem pública pode crescer. A proteção ao redor dela precisa crescer junto.
Quando Alanna olha para os próximos três anos, imagina capas de revistas, novos desfiles e outras oportunidades. Ao falar especificamente sobre seu maior sonho profissional, porém, volta ao mesmo lugar que abriu sua história.
Outros trabalhos serão bem-vindos, segundo a entrevista, mas os desfiles ocupam o centro de sua expectativa. Há coerência entre a primeira lembrança que escolhe guardar e aquilo que deseja encontrar adiante.
Também existe uma dimensão fora da moda na maneira como a família descreve o impacto que Alanna gostaria de deixar: espalhar alegria, proteger os animais e mostrar que crianças podem perseguir seus sonhos com amor e persistência. Quando perguntada sobre o que a move diariamente, sua resposta é ainda mais curta: pensar no futuro.

Para os pais, talvez o futuro seja justamente a parte que exige mais equilíbrio. Há o desejo natural de ver uma filha avançar, conquistar oportunidades e ser reconhecida por aquilo que gosta de fazer. Ao mesmo tempo, existe uma infância acontecendo agora, antes que qualquer próximo desfile seja anunciado.
A trajetória de Alanna ainda não precisa de grandes conclusões. Ela tem sete anos, algumas experiências concretas e tempo para descobrir o tamanho que esse interesse terá em sua vida.
Por enquanto, sua história cabe em uma imagem bastante precisa: uma menina de Encantado que entrou em sua primeira passarela, gostou do que encontrou e continuou. Depois vieram outro desfile, a escolha por agências e o primeiro trabalho.
Quando lhe perguntaram qual lembrança gostaria de guardar entre todas elas, Alanna voltou ao começo.
O primeiro desfile.
E quando lhe perguntaram onde mora seu maior sonho, a resposta levou ao mesmo lugar.