Ivete Sangalo chega à 20ª apresentação no Rock in Rio como recordista do festival

No domingo, 13 de setembro, a cantora baiana abre o Palco Mundo e alcança uma marca que atravessa Brasil, Portugal, Espanha e Estados Unidos.

Quando Ivete Sangalo subir ao Palco Mundo do Rock in Rio neste domingo, 13 de setembro, haverá um número importante por trás de uma presença já familiar ao festival: será sua 20ª apresentação na história do evento. A contagem considera as diferentes edições realizadas no Brasil, em Portugal, na Espanha e nos Estados Unidos e coloca a cantora brasileira na liderança entre os artistas que mais vezes passaram pelos palcos do Rock in Rio.

A marca chama atenção pela distância em relação aos outros nomes que aparecem entre os mais recorrentes do festival. Xutos & Pontapés e Sepultura somam 12 apresentações cada; Capital Inicial aparece com dez; Frejat, com oito; e Metallica, com sete. Ivete chega a vinte.

O número, porém, fica mais interessante quando observado para além do recorde. Festivais mudam de público, formato, patrocinadores, repertório e prioridades. Novas gerações passam a disputar espaço e artistas que foram centrais em determinado momento deixam de ocupar as posições mais visíveis do line-up. Permanecer em um evento dessa dimensão durante tantos anos exige uma combinação difícil de repertório reconhecível, capacidade de palco e comunicação com públicos que não são exatamente os mesmos de uma edição para outra.

A história de Ivete com o Rock in Rio começou fora do Brasil. Sua primeira participação aconteceu em Lisboa, em 2004. Desde então, a cantora tornou-se uma presença recorrente nas diferentes versões internacionais do festival e chega à edição brasileira de 2026 como a artista com maior número de apresentações de toda a história do evento.

Neste domingo, ela terá ainda uma posição particular na programação. Ivete abre o Palco Mundo às 17h, no último dia do Rock in Rio 2026. Depois dela, passam pelo mesmo palco Lola Young, às 19h10, Halsey, às 21h35, e Twenty One Pilots, à 0h05. A escalação coloca uma artista brasileira de longa relação com o festival na abertura de uma sequência predominantemente internacional.

É uma posição que ajuda a entender a dimensão que Ivete conquistou dentro do próprio evento. Seu nome não aparece no Rock in Rio como uma homenagem retrospectiva ou como lembrança de uma geração específica. Ela continua inserida na programação principal de uma edição que reúne artistas de diferentes mercados e momentos da música contemporânea. Em 2026, o festival reúne 140 atrações brasileiras, além de dezenas de nomes internacionais, segundo levantamento divulgado pelo Gshow.

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Existe uma diferença importante entre longevidade e permanência. Uma carreira pode ser longa sem necessariamente continuar ocupando os mesmos espaços de visibilidade. Permanecer significa atravessar mudanças de linguagem, consumo e audiência sem depender exclusivamente da nostalgia. No caso de Ivete, as vinte apresentações oferecem uma medida concreta dessa continuidade.

Também dizem algo sobre a relação construída entre artista e festival. O Rock in Rio cresceu muito além de sua edição carioca e levou sua marca para outros mercados. Ivete acompanhou parte relevante dessa expansão. Lisboa, Madrid, Las Vegas e Rio de Janeiro transformaram a recorrência da cantora em uma trajetória paralela dentro da própria história do evento.

É tentador transformar um recorde como esse em uma coleção de números, datas e apresentações. Mas o dado mais significativo talvez esteja no presente. Ivete não alcança a vigésima participação apenas porque esteve muitas vezes no Rock in Rio; ela chega a esse número porque continua sendo chamada para voltar.

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Em uma indústria que trabalha permanentemente com novidade, esse tipo de permanência tem valor particular. Há sempre um novo nome, uma nova estética e uma nova audiência sendo disputada. Poucos artistas conseguem atravessar essas substituições mantendo a capacidade de ocupar um dos maiores palcos de um festival internacional.

No domingo, quando Ivete Sangalo entrar no Palco Mundo às cinco da tarde, o recorde estará oficialmente diante do público: vinte apresentações em diferentes países e diferentes momentos do Rock in Rio. Mais do que uma curiosidade estatística, é uma fotografia bastante precisa da posição que ela conseguiu construir dentro do festival.

Algumas carreiras são medidas pelo tamanho do primeiro grande momento. Outras começam a revelar sua dimensão quando esse momento já ficou muito para trás — e o convite continua chegando.

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