11/09/2026
Camilla da Apresentação, conhecida como Preta Letrada, é finalista do Prêmio Sim à Igualdade Racial 2026 na categoria Influência e Representatividade Digital. Com uma comunidade de mais de 500 mil seguidores, a advogada, escritora e pesquisadora utiliza as redes sociais para promover reflexão, cultura e debate público. Sua indicação reforça o papel da influência digital como ferramenta de transformação social e fortalecimento da representatividade negra no ambiente online.
Em um cenário onde algoritmos moldam percepções, influenciam comportamentos e ajudam a definir o que ganha relevância no debate público, ocupar o ambiente digital tornou-se muito mais do que produzir conteúdo.
Para Camilla da Apresentação, conhecida nacionalmente como Preta Letrada, estar presente nas redes significa participar ativamente da construção de narrativas que impactam cultura, identidade e sociedade.
Com uma comunidade que ultrapassa meio milhão de seguidores, a comunicadora popular, advogada criminalista, escritora e pesquisadora é uma das finalistas do Prêmio Sim à Igualdade Racial 2026, na categoria Influência e Representatividade Digital, dentro do eixo Cultura. A premiação acontece no Rio de Janeiro e reúne nomes que vêm contribuindo para ampliar a diversidade e a representatividade em diferentes setores da sociedade brasileira.
Para Preta Letrada, o reconhecimento surge como consequência de uma trajetória construída a partir do compartilhamento de ideias, experiências e perspectivas sobre o mundo.
Mais do que uma conquista individual, a indicação reforça a responsabilidade que acompanha a visibilidade em um ambiente cada vez mais decisivo para a formação cultural e política das pessoas.
Segundo ela, a internet é hoje um dos principais territórios de disputa simbólica da sociedade contemporânea.
“Estar no ambiente digital é também disputar narrativas e trazer, como contraponto, informação, cultura e a palavra como forma de transformação social.”
A fala sintetiza um movimento que vai além dos números. Embora a influência digital seja frequentemente medida por alcance e engajamento, o trabalho de Preta Letrada se apoia em outro indicador: a capacidade de provocar reflexão. Sua proposta não é convencer.
“Se eu mudei a visão de uma pessoa que seja sobre determinado assunto ou sobre determinada perspectiva de vida, eu já alcancei o meu objetivo. Eu não quero que você pense igual. Eu só quero que você pense.”
Essa lógica transforma a produção de conteúdo em exercício de consciência crítica. Um espaço onde informação, experiência e repertório cultural se encontram para ampliar o debate público e desafiar certezas estabelecidas.
A presença da comunicadora na cerimônia também se estende para além do discurso. A moda surge como linguagem complementar dessa narrativa. Para a premiação, Preta Letrada escolheu uma criação assinada pelo ateliê baiano Teroy13, desenvolvida especialmente para dialogar com o tema desta edição: “Surrealismo Afro-Indígena Brasiliano”.
A proposta visual une ancestralidade, simbolismo e maximalismo em uma composição que celebra a potência estética das culturas afro-brasileiras. Cada elemento carrega significados que ultrapassam a aparência. Os búzios remetem à comunicação, prosperidade e ancestralidade, além de resgatarem sua importância histórica como instrumento de troca em diversas sociedades africanas.
“O exagero sempre foi visto de forma depreciativa quando associado à cultura negra. Mas o maximalismo vem justamente como contraponto a uma estética de contenção e padronização. Ele celebra texturas, pedrarias, cores e elementos que fazem parte da nossa história.”
Ao ocupar espaços de influência, reconhecimento e visibilidade, Preta Letrada reafirma uma das discussões mais importantes da contemporaneidade: quem conta as histórias também ajuda a definir o futuro.
E, em uma era movida por atenção, disputar narrativas talvez seja uma das formas mais poderosas de transformação social.