12/09/2026
Há um detalhe na história de Julia Borak Pelisser que diz mais sobre esse começo do que qualquer número poderia dizer: entre as lembranças que sua mãe guarda desta fase, uma das mais marcantes é o primeiro recebido enviado por uma loja parceira. Não era uma grande campanha, nem precisava ser. Aos cinco anos, quando quase tudo ainda tem a dimensão de uma descoberta, aquele pacote materializava algo novo: alguém, do outro lado da tela, havia reparado nela.
Julia vive em Três Barras do Paraná, no Paraná, e sua entrada no universo digital é recente. Segundo Priscila Cretieli Borak, mãe da menina, a criação do Instagram despertou o interesse de agências em estabelecer parcerias. Pouco depois, outro acontecimento ganhou importância para a família: Julia foi chamada para integrar uma agência de modelos, momento descrito pela mãe como a “virada de chave” de sua trajetória até aqui.
É cedo, evidentemente, para transformar esses primeiros movimentos em uma narrativa de carreira consolidada. E talvez o mais interessante seja justamente não tentar fazer isso. Julia está no início. Sua história, neste momento, é a de uma criança experimentando um território que reúne moda, fotografia e redes sociais, enquanto descobre como se sente diante da câmera e como deseja ocupar esse espaço.
A mãe a descreve como dona de uma personalidade forte, determinada e persistente, alguém que “sabe exatamente o que quer e não desiste facilmente dos seus objetivos”. Ao mesmo tempo, existe um contraste delicado nessa descrição. Quando perguntada sobre algo que poucas pessoas sabem a respeito da filha, Priscila responde de maneira direta: Julia é tímida.
É um contraste particularmente interessante para uma menina que começa a trabalhar com imagem. A desenvoltura que uma fotografia pode sugerir não necessariamente elimina a reserva que existe fora dela. Em crianças, sobretudo, uma imagem pública nunca deveria ser confundida com uma personalidade pronta. Julia ainda está formando ambas.
A mãe a descreve como dona de uma personalidade forte, determinada e persistente, alguém que “sabe exatamente o que quer e não desiste facilmente dos seus objetivos”. Ao mesmo tempo, existe um contraste delicado nessa descrição. Quando perguntada sobre algo que poucas pessoas sabem a respeito da filha, Priscila responde de maneira direta: Julia é tímida.
É um contraste particularmente interessante para uma menina que começa a trabalhar com imagem. A desenvoltura que uma fotografia pode sugerir não necessariamente elimina a reserva que existe fora dela. Em crianças, sobretudo, uma imagem pública nunca deveria ser confundida com uma personalidade pronta. Julia ainda está formando ambas.
As referências iniciais vieram de outras influenciadoras kids. A vontade de crescer nesse universo aparece de maneira igualmente simples nas respostas da família: Julia sonha em ser uma modelo conhecida, atuar como influenciadora infantil e, nos próximos anos, participar de concursos de miss.
No conteúdo, a proposta apresentada pela família combina moda, beleza, rotina e momentos espontâneos. A intenção é preservar uma estética cuidada sem criar a aparência de uma vida permanentemente produzida. A escolha do que publicar procura acompanhar o momento vivido pela menina e, ao mesmo tempo, observar aquilo que desperta interesse de quem acompanha o perfil.
Essa distinção importa. Existe uma diferença considerável entre uma criança que aparece na internet e uma personagem infantil construída para a internet. No caso de Julia, uma frase da entrevista estabelece o limite mais relevante de todos. Ao falar sobre o que uma marca precisa compreender antes de trabalhar com a filha, a resposta é curta: “Que sou criança, faço as coisas no meu tempo.”
Porque aos cinco anos o tempo não deveria obedecer à lógica de uma campanha, à ansiedade por alcance ou à velocidade de uma plataforma. O trabalho pode existir, a curiosidade pela moda também, assim como o prazer de fotografar e participar de projetos. Mas a infância continua sendo o centro. Uma presença digital interessante, nesse caso, será aquela capaz de crescer sem atropelá-la.
Esse cuidado também aparece quando a família fala sobre críticas e pressão nas redes. A resposta menciona filtragem de comentários, limites no uso das plataformas, preservação da saúde mental e manutenção do foco em seguidores genuínos. Em uma carreira infantil, esses elementos deixam de ser apenas escolhas de gestão de comunidade e passam a fazer parte da própria responsabilidade dos adultos que administram a exposição.
Moda infantil, calçados e brinquedos aparecem entre os segmentos que a família considera coerentes com Julia. A colaboração lembrada com maior carinho até agora aconteceu com uma loja de brinquedos, da qual ela recebeu um urso. É uma imagem pequena, mas muito adequada à fase que está vivendo: antes das métricas, contratos e ambições futuras, existe uma criança recebendo um brinquedo e entendendo aquilo como algo especial.
A família considera o crescimento do engajamento do perfil uma das conquistas dessa fase inicial e identifica o aprendizado diário como um dos principais desafios. Não há, nas informações fornecidas à VOLPH, números que justifiquem transformar Julia em fenômeno digital, tampouco uma trajetória extensa que permita falar em consolidação. O que existe é um começo documentado, uma intenção clara e um processo ainda aberto.
A infância digital costuma produzir uma tentação adulta de antecipação: antecipar carreira, sucesso, identidade, resultados. Com Julia, o material da entrevista aponta para algo mais interessante quando lido sem essa pressa. Há uma menina de cinco anos que gosta desse universo, uma família acompanhando seus primeiros passos e uma imagem que começa a encontrar público. Seu maior sonho profissional, segundo o questionário, é tornar-se modelo e influenciadora kids conhecida. O impacto que deseja transmitir também foi definido: inspirar outras crianças a perseguirem seus sonhos “com alegria, leveza e autenticidade”.
Por enquanto, Julia Borak Pelisser está naquela fase rara em que cada pequena conquista ainda parece exatamente do tamanho que deveria parecer: grande para quem a vive, sem precisar ser inflada para quem observa. O primeiro recebido, o convite de uma agência, uma fotografia nova, pessoas começando a acompanhar seu perfil. São sinais iniciais, não promessas.
E existe uma boa medida para acompanhar o que vier depois. Ela foi dada pela própria família durante a entrevista: Julia é criança e faz as coisas no tempo dela.
Preservar esse tempo pode ser tão importante quanto qualquer oportunidade que apareça diante das câmeras.